sexta-feira, 24 de abril de 2009

Despedida

Amor,
levante minha mão, por favor
precisa compreeder
falar já não é mais possível
encoste-a na tua
ainda presente o arrepio
daquele primeiro contato
quando mal sabíamos
o nome um do outro
...
leve-a ao seu ombro
veja que finalmente desci
outros continuarão
a nele se apoiar
mas sem nunca sequer
receber de ti
o mais puro
e valioso sentimento
sem fazer por merecer
como inexplicável
e incompreensivelmente
eu o recebi
...
apalpo tuas pernas e
recebo, mesmo sem querer,
a força que elas ainda tem
para seguir sempre em frente
pelos muitos momentos
de firmeza e constância
enquanto outras tantas
incluindo as minhas
vacilaram involuntariamente
...
toque agora seu ventre
sinta a energia vibrante
onde renascemos
nosso amor perpetuamos
e em cujos frutos
eternamente viveremos
...
deixe-me tocar teu joelho
e feche os olhos
sinta o leve toque dos dedos
e lembre que há pouco
aí estavam as pequeninas mãos
de nossos netos
iniciando suas vidas
continuando as nossas
querendo receber carinho
e levando também
um pouco de experiência
...
encoste agora no teu peito
o sangue aí dentro
ainda apenas teu
circula com a força
de um coração
já sem um pedaço
que não mais devolverei
...
EU TE AMO!
(foi meu último suspiro...)

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